Wednesday, March 17, 2010

buonanotte


Por mais concreto
o fascínio
por mais resoluta
a fala
a falta
- dos braços
- da febre
- da fábula
 
dissipam
a noite e
fazem
da reza
incompletos
silêncios
esparsos. 

Monday, March 1, 2010

Plúmbeo o céu

Plúmbeo o céu
cinza as janelas.
Chumba partidas
reparte, équo, o
quinhão. Eco de
rostos-grafites
latejam em vão.












photo by Creative Commons

Wednesday, February 3, 2010

No confessionário


Pai, às  vezes, tomada por uma vontade suicida, quero rasgar o saco de lixo e despejar a imundice escada abaixo. Vomitar dos sonhos, o mais recôndito: o avesso e adverso. Regurgitá-lo sobre o  lúcido mármore da minha própria felicidade. Bendita seja a palavra  que, sucinta, sublima a mais escorregadia manifestação da minha perversidade.

Amém.   

Thursday, December 17, 2009

Café (ou bricadeira a gosto)




photo by Rubens Guerra
Há algo triste no azul dos teus olhos.
Há algo perdido e infinito neste azul dos teus olhos.
Há algo de azul
                      no triste dos teus olhos.

Há algo de teus olhos neste triste azul.
Há algo perdido
                     no infinito do azul dos teus olhos.

Há algo infinito no azul perdido dos teus olhos.
Há algo azul
no infinito triste
dos teus olhos
perdidos.

*



There’s something sad in that blue of your eyes.
There’s something lost and infinite in this blue of your eyes.
There’s something blue
                                       in the sadness of your eyes.
There’s something lost
                                    in the infinite of your eyes’ blue.
There’s something infinite in the lost blue of your eyes.
There’s something blue
in the sad infinite
of your lost
eyes

Thursday, December 10, 2009


photo by Luigi Ceccon
Para San Romanelli

Um coração tateia o teto das estrelas,
vocaliza veracidade, faz-se veludo voraz
de abraços: uma braça de amor ilustrada
nos Astros sôfregos de reluz.